Como os adolescentes tomam decisões e o que podemos fazer para ajudá-los

Quando se trata de ter bons comportamentos financeiros, tomar decisões acertadas é fundamental.

O problema é que essa é uma das coisas que dificulta a educação financeira de adolescentes! Isso porque eles não desenvolvem espontaneamente a capacidade de tomar boas decisões. Trata-se de uma habilidade que precisa ser ensinada e praticada. 

De acordo com Jean Piaget, um dos pensadores mais respeitados no campo da educação, é por volta dos 12 anos que as crianças começam a ter raciocínios abstratos e a ser menos auto-centradas. No início da adolescência começam a se desenvolver as capacidades de considerar situações hipotéticas, múltiplas perspectivas, opções alternativas e consequências futuras das ações presentes.

A adolescência é também uma fase em que o cérebro humano passa por mudanças físicas. Só na idade adulta é que a parte do cérebro responsável pelo controle emocional e dos impulsos se desenvolve totalmente. Do ponto de vista da educação financeira, isso significa que o cérebro ainda não está pronto para ajustar a sensibilidade a diferentes tipos de recompensas. Já a parte do cérebro responsável pelas respostas emocionais e pelas tendências comportamentais tem seu pico de desenvolvimento justamente na adolescência. Isso significa que é mais fácil para os adolescentes tomarem decisões com bases nas emoções que na racionalidade

Pensando nisso, fomos buscar as dicas dos especialistas para que você possa ajudar seus filhos a tomar boas decisões financeiras.

Adolescentes entendem riscos de forma diferente

Uma consequência importante da forma como o cérebro dos adolescentes funciona é que eles analisam riscos de forma diferente dos adultos. Eles em geral são mais propensos a acreditar no lado positivo dos riscos (como a aceitação social) que no lado negativo (como as consequências para a saúde). Além disso, adolescentes dão prioridade ao grupo social, e não mais à família, e têm dificuldades para compreender consequências de longo prazo. 

Muitas campanhas de prevenção voltadas a adolescentes acabam por mostrar a tomada de decisões de forma exagerada, como se houvesse apenas uma escolha saudável e outra com grandes riscos. Essa estratégia não é eficaz, porque não trata das sensações positivas que certos comportamentos de risco podem despertar, mesmo que depois provoquem consequências desastrosas. 

A especialista Amber Howard chama a atenção para um problema dessa abordagem: se adolescentes adotam os comportamentos de risco e as consequências exageradas não acontecem, o tiro pode sair pela culatra, pois eles podem tender a acreditar que são invulneráveis e provavelmente deixarão de se proteger.

Ainda segundo Amber Howard, as estratégias verdadeiramente eficazes devem:

  • ser mostradas de forma relevante e útil, dentro da realidade dos adolescentes;
  • encorajar os adolescentes a olhar tanto para as consequências imediatas quanto as de longo prazo;
  • ajudá-los a evitar tomar decisões com parcialidade.

Levando essas dicas para a educação financeira, o que você pode fazer para ajudar seus filhos a entender a importância de planejar os gastos e até conseguir poupar?

  • Explique que todo gasto representa uma escolha: fale sobre como o dinheiro não é um recurso infinito, e por isso quando decidimos gastar uma quantia hoje, isso significa que amanhã teremos menos. 
  • Aos poucos, seus filhos irão entender na prática que é preciso haver um equilíbrio entre os desejos do presente e as necessidades do futuro.
  • Mostre que é importante reconhecer as influências externas que afetam suas escolhas. Por exemplo: uma compra por impulso muitas vezes é feita para ter algo que os amigos também têm, ou por causa de uma propaganda. Mas será que esse é realmente o objeto de desejo? Será que há algo que eles queiram ainda mais, e que por gastarem o dinheiro ao invés de poupar não poderão ter? 

Com o Blu By BS2, você pode acompanhar junto com seus filhos o modo como eles gastam o dinheiro da mesada, afinal, ter controle sobre o orçamento é o primeiro passo para uma vida financeira saudável. Basta acessar o extrato de cada dependente e conversar sobre as despesas que foram feitas. Com o tempo vocês irão entender, juntos, quais realmente valeram a pena. 

Incentivos podem ajudar a decidir na direção certa

Existem diferentes maneiras de ensinar os adolescentes a tomar decisões. Boa parte delas têm em comum estratégias que os ajudam a entender os efeitos futuros de cada ação do presente. Mas nós já sabemos que isso é difícil nessa fase da vida. Então, recorremos às ideias dos especialistas Richard Thaler e Cass Sunstein. Eles defendem a chamada arquitetura de escolhas, ou seja, uma forma de apresentar diferentes opções de modo a incentivar as pessoas a tomarem decisões mais saudáveis, mantendo sua capacidade de escolher. 

Essas “cutucadas” na direção das boas decisões são chamadas de paternalismo libertário – elas são paternalistas porque tentam influenciar as pessoas na direção da decisão considerada mais saudável, mas ao mesmo tempo são libertárias porque mantêm a liberdade de cada um fazer o que quiser. 

A arquitetura de escolhas já vem sendo usada, por exemplo, na organização de lanches nas cantinas escolares nos Estados Unidos, influenciando os estudantes a preferir alimentos saudáveis.

O Blu By BS2 apresenta recursos simples e ligados ao dia a dia das famílias, como a possibilidade de dar mesada e de criar reservas, para incentivar pais e filhos a desenvolver na prática as competências ligadas à educação financeira. 

Listas de desejos ajudam a poupar com propósito

Parte da dificuldade dos adolescentes em poupar está na forma como eles avaliam o impacto de suas decisões presentes em relação ao próprio futuro. Para eles, é difícil abrir mão de uma satisfação imediata em função de uma recompensa no futuro. Mas isso não significa que nada possa ser feito para ajudá-los no processo: ao contrário, essa habilidade pode ser ensinada!

E como você pode ajudar seus filhos a aprender a abrir mão dos desejos de hoje em troca de uma recompensa futura?

A especialista australiana Bessie Hassan recomenda começar pelo básico: verbalize suas mensagens. Fale sobre os objetivos financeiros da família, explique qual é sua renda e como ela é distribuída nas diferentes despesas. É importante que os adolescentes entendam como se ganha dinheiro e onde ele é gasto.

Essa primeira etapa ajudará seus filhos a entender que você também toma decisões sobre como usar seu dinheiro todos os dias. Para tornar esse processo mais realista, sempre que for às compras com eles, incentive-os a usar o celular para fazer listas do que querem comprar. O hábito de listar os desejos ajudará a não comprarem a primeira coisa que virem, criando um propósito para o consumo e reduzindo as compras por impulso.

O segundo passo é criar uma estratégia de poupança para realizar um sonho de consumo mais caro. Muitos adolescentes conseguem poupar quando têm um desejo que não pode ser realizado imediatamente. Assim, eles aprenderão na prática como gastar de forma consciente, começando a poupar para conquistar um objetivo.

Aproveite a função Reservas do Blu By BS2 para ajudar seus filhos a guardar dinheiro com propósito. Crie uma reserva com o nome daquilo que eles querem comprar (pode ser um game, um celular novo, uma viagem) e incentive-os a separar uma parte da mesada para isso. Como estímulo extra, a cada vez que eles depositarem uma quantia, você pode igualar o valor na mesma reserva. Eles se sentirão motivados ao conseguir o que querem, e começarão a desenvolver na prática as competências necessárias para uma boa educação financeira!

Ainda não conhece o Blu? Baixe o app e comece hoje mesmo a educação financeira de sua família! 

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